Histórias na estrada do rock - por Marconi Lins Depois de uma longa trip de três meses, por 21 diferentes países do velho continente europeu em 2014, eis-me aqui para contar para vocês como foi essa louca aventura atrás do rock'n roll, cerveja e lugares históricos. Apesar do foco cultural voltado para a música, eu não posso deixar de escrever sobre lugares relevantes da história geral e da civilização ocidental pelos quais passei. Venho aqui e também através do meu site, compartilhar todo esse conhecimento inútil acumulado, que poderá um dia servir para alguém que queira fazer uma viagem por alguma dessas cidades. Minha aventura pelo mundo afora não é nenhuma biografia de um campeão, e nem queria que fosse. A idéia nesse blog é pontuar lugares marcantes da história do rock e da música, revisando e desconstruindo seus mitos e seus costumes. Com este propósito então me restava traduzir entre palavras o sentimento honesto do que é rock, e por onde ele andou e se esconde, procurando-o em cada estrada que trilhei. Nessa primeira postagem começo com um texto que eu já tinha colocado no meu antigo blog. Um registro na tumba do Jim Morrison, muito curtido aqui nas redes sociais, que novos amigos e apreciadores ainda não tiveram a oportunidade de conferir.BLOG


                                                                                                                                                                      Corck à noite, música em cada esquina

Taste - A reinvenção do Irish Rock

Primeira banda irlandesa a despontar no cenário rock

Estamos na Irlanda, ilha da esmeralda, e já sabemos que Dublin é uma das principais capitais do rock no mundo. Também voltaremos aos dubliners rockers em breve, contudo a primeira banda originária deste país que conseguiu se destacar no panteão do rock, impetrando este feito no final dos anos 60, foi uma banda originada na cidade de Cork e chamava-se Taste. A banda conseguiu entrar para a santíssima trindade dos powers trios e começou suas atividades no ano de 1966. Nesse período, já haviam dois power trios que revolucionaram o conceito de uma banda: o Jimi Hendrix Experience e o Cream, bandas com apenas três integrantes que faziam um super som, simples assim, com baixo, uma guitarra e uma bateria -  formação clássica de qualquer banda de rock, mas eles faziam com seus instrumentos o que muitas bandas com cinco integrantes não conseguiam reproduzir.

           Foi nesse cenário que nasceu o Taste. O grupo era formada po Erick  Kittergiano no baixo, Norman Manery  na bateria e, no vocal, um carismático guitarrista que dava todo o diferencial ao som da banda:Rory  Gallagher. Diferentemente da psicodelia distorcida do  Jimmi and Experience, ou das pitadas de jazzacrescentada do Giger Baker do Cream, o Taste tinha identidade própria e se destacou por isso, criando uma linha psicodélica rock bluseira sem deixar de lado o experimentalismo com lírico igualmente. O que verdadeiramente fazia toda a diferença na banda era seu guitarrista, com um sentimento nato à flor da pele, que tirava a música do lugar comum para entrar em outro patamar, transcendendo o espírito e elevando a mente. Assista a qualquer vídeo do Rory tocando guitarra que você vai entender o momento do artista quando coloca um instrumento debaixo do braço e nota-se a transformação com a sua verdade, executandoinspiração afinada com o público, elevando todos ao contato com essa  coisa divina acima das explicações, uma conjunção com o universo no qual o instrumento é uma ferramenta equalizadora de sintonia que nenhum outro sentido, visão ou tato são capazes de captar.Rory, anos mais tarde, partiria para uma bem sucedida carreira solo com toda sua habilidade para tocar e compor, mas não sem antes percorrer toda a Europa com seu Taste.

           O Taste também foi convidado para abrir o show Blind Faith, no Canadá. Fez inúmeras apresentações ao vivo em uma rede de TV de Hamburg - uma das primeiras aparições de uma banda de rock na TV alemã - e chegou ao ápice tocando nos high ligths doFestival da Ilha de Write, no ano 1970. Foi neste mesmo festival que Gallagher mostrou tudo o que sabia na hora certa. Acertou um showzaço dedilhando toda sua habilidade na guitarra, chegando a ganhar mais notoriedade pela apresentação do que o Jimmi Hendrix, que por estar muito chapado e não ser muito feliz em sua apresentação, teve uma resposta negativa do público.Dias depois do festival, Hendrix, chateado e com dor de cotovelo com a imprensa que destacara o jovem guitarrista irlandês, então levantou a bola para Gallagher, ainda que de forma sarcástica quando perguntado pelos repórteres quem era o melhor guitarrista de rock no momento: "Perguntem ao Rory Gallagher”, respondeuHendrix. 

              Na nossa  próxima postagem iremos falar sobre essa cidade que é pura    música e onde nasceu o grupo Taste, Corck Rock Citty. Até breve!

República da Irlanda

Berço do Folk Folk

Esta ilha, situada na periferia da Europa e quintal da Inglaterra, geograficamente falando, é ponto obrigatório do nosso roteiro de rockpela Europa. De lá, saíram bandas expressivas para o mundo, ainda que sem a grande visibilidade das bandas inglesas. De qualquer modo, se estiver na Irlanda, o negócio é preparar o estômago para aguentar beber como os irlandeses. É cerveja e muita cerveja no happy hour, ao final do horário de funcionamento dos pubs, sempre as três da matina, com exceções de afters e boates. Minha jornada para Irlanda começou em Dublin, capital do país, que, atualmente, convive com a presença de 50 mil brasileiros, entre estudantes e trabalhadores, mas caminhei os quatro cantos do país em busca destas referências do rock, em Cork, a cidade da revolução, chegando até os confins da Irlanda do Norte, passando por Belfast até Londonderry.

A música sucessivamente fez parte da cultura irish, não é à toa que o símbolo do país é uma harpa. A cultura celta é muito rica musicalmente, com elementos medievais como rabeca, gaita irlandesa e flauta que são frequentemente acrescentadas ao irish rock. Em todas as cidades do país do Leprechaun, é comum observar músicos de rua ou buskers, como são mais conhecidos na Irlanda. Eles são muitos, espalhados pelos principais pontos comerciais da cidade, principalmente no centro, onde é maior o fluxo de pessoas.

Uma boa dica para quem quer encarar de tocar de forma itinerante em qualquer lugar do mundo é óbvia: tocar em um local onde passam várias pessoas. Apesar do barulho nem sempre ajudar a execução, você pode fazer tal como os buskers. Apresentam se com amplificadores ligados em bateria de carro ou em pilhas nove voltz, tornando maior sua visibilidade com verdadeiros estúdios portáteis de acompanhamento programado. Os Burkers investem no set para deixar a coisa mais lúdica: pedestal, mini ­iluminação, caixa amplificada, base de efeito loop, que é quando uma parte da música pode ser tocada repetidamente entrando em looping. Este recurso para os solistas faz toda diferença na hora de expor o trabalho. Sendo estes complementos um peso chato para qualquer estradeiro carregar nas costas durante em sua viagem, caso você esteja apenas viajando com seu violão nas costas, o ideal é procurar um lugar bom de reverberação, tipo um beco ou abaixo de uma marquise, sem contar que irá te proteger do frio.

No inverno, tocar pelas ruas pode ser uma experiência frustrante e dolorosa para os que não estão acostumados ao frio da Europa, pois os dedos congelam e, se tocas instrumento de corda, desafinam a cada rajada de vento frio. Todavia, o melhor período do ano para se apresentar pelas ruas da Europa, é no verão: as ruas são mais alegres e movimentadas, principalmente se você estiver em algum país ao norte, como a Irlanda, por exemplo. Velha Irlanda de tradição e resistência ao império britânico, com seu dialeto Gaélico que é até hoje é mantido obrigatoriamente em placas com nomes de ruas ou nas escolas. Seu velho estilo folk realmente é o som mais característico da região. Folk music com vocais anasalados e meio falado tocado em sol maior. Essa receita musical é a cara dos buskers e do que se escuta nos tradicionais pubs de toda a Irlanda. Uma célula musical que veio cair muito bem com o rock. O próprio poeta americano Bob Dylan bebeu muito desta fonte musical, o irish folk rock. No mais, o país só não conseguiu ficar irredutível a invasão do rock, apesar da pouca distância de Londres onde tudo acontecia nos anos 60 e 70. A ilha parecia longe demais do neon das metrópoles e do brilho das celebridades passando despercebida aos olhos do grande público. Pelo fato da língua inglesa e principalmente da simpatia dos irishs pelos EUA, somada a localização próxima da Inglaterra, foi que a Irlanda teve acesso ao rock muito cedo. Não só teve acesso como exportou pérolas para o mundo, deixando a Irlanda como o segundo lugar deste nosso útil roteiro.

Corck à noite                                                          Fotos Nara Nogueira

Dublin Castle

Pedra de Roseta; uma das atrações mais visitadas do British Museum

British Museum

Minhas aulas no ginásio, alienígenas e a Pedra de Roseta

Um programa barato e histórico cultural, para quem tiver de visita pela terra da Rainha Elizabeth ll, é uma vista ao British Museum. Para não ficarem dizendo por aí que roqueiro é tudo alienado, vamos colocar na nossa programação de viagem lugares que não poderão ficar de fora do seu roteiro, caro viajante sem grana, ou feliz abastardo. Um museu gigantesco que conta a História da Humanidade, com alas separadas dedicadas ao Egito, Austrália e Japão. São múmias, peças raras, jarros, armas, mausoléus, mosaicos, roupas de samurais, aborígenes, réplicas ambientadas, como a Caverna de Jericó, e tudo isso com visitação gratuita.

Quando ainda eu estava no primário, uma das matérias que eu mais curtia era História das Civilizações. Costumava passar horas debruçado sobre os livros que falavam sobre a Mesopotâmia e o Egito Antigo. De todas que eu lia, a que mais me fascinava era a do Rei Nabucodonosor, o imperador que, em 600 a.C., construiu os Jardins Suspensos da Babilônia. Dentre outros fatos históricos, o que lembro mais até hoje era a lei aplicada pelo rei, "olho por olho e dente por dente", ou seja, se o cidadão fizesse algum mal a outro, pagaria na mesma forma literalmente falando. Eu achava aquilo muito justo.


 

Ala dedicada ao Egito...Múmias

No pavilhão dedicado a cultura japonesa...uma viagem a terra do sol nascente. Uma roupa de Samurai datada do século passado.

Indumentária do Samurai

Tive um segundo contato com a cultura egípcia quando um amigo me emprestou o livro “Eram os Deuses Astronautas", do escritor suíço Erich Von Dänikenn. Escrito em 1969, no livro, o autor teoriza a possibilidade das antigas civilizações terrestres serem resultados de alienígenas, que, para as épocas relatadas, teriam se deslocado para o nosso planeta e ensinado técnicas avançadas de arquitetura e astronomia para os povos ancestrais. Von Däniken apresentou como provas ligações entre as pirâmides egípcias e incas, as quilométricas linhas de Nazca, os misteriosos Moais da Ilha de Páscoa, entre outros grandes mistérios arquitetônicos. Ele também cria uma teoria de

cruzamentos entre os "extraterrestres" e espécies primatas, gerando a espécie humana. Uma teoria que deve ter inspirado o roteirista do mais do recente filme do Indiana Jones & O Reino da Caveira de Cristal. Quem assistiu sabe do que estou falando. Depois de algum tempo, descobri que a Pedra de Roseta desmascarava qualquer teoria de alienígena, por isso estudiosos em arqueologia não deram nenhum crédito ao autor suíço. A pedra é uma tipo de alfabeto de conversão para o grego e outros idiomas, que serviu para decifrar os hieróglifos egípcios. Foi redescoberta, no Egito, em 1799, por um soldado integrante da expedição francesa. Primeiro texto bilíngue a ser recuperado na história moderna, a Pedra de Roseta logo despertou grande interesse pela possibilidade de conter uma tradução da antiga língua egípcia, até então nunca decifrada. Somente 20 anos depois, no entanto, foi feito o anúncio da decifração dos textos egípcios

pelo arqueólogo Jean-François Champollion. É engraçado quando a gente lê essas coisas nos livros e, de repente, encontra- as de frente, sem nenhum guia turístico, diga-se de passagem. Como me foram úteis as aulas de banca com minha querida mãe e os livros de História do ginásio. Posso afirmar que é mágico um momento como este quando eu pude admirar a Pedra de Roseta, que hoje faz parte do acervo permanente do museu. Foi como se toda melatonina da minha glândula pineal tivesse sido liberada ao mesmo tempo por ondas sonoras com direção ao bem-estar...Enfim, é muita sensação para resumir aqui em duas frases. Só passando porisso para realmente entender.

Fotos: Nara Nogueira

Foto: Nara Nogueira

Prins Hendrik Hotel- A última trip de Chet Baker

Trompetista, cantor, ídolo do jazz, junkie e cult.Adjetivar Chet Baker é recorrente e complicado porque o próprio Chet foi diversos personagens ao longo da sua não curtatrajetória. Nascido em Oklahoma, em 1929, começou a tocar ainda bem jovem, influenciado pelo pai, aos 21 anos,e se apresentou ao lado de nada mais nada menos doque Charlie Parker, e foi a partir daí que os músicos brancos do jazz passaram a ter maior notoriedade na cena jazz americana.

Rotulados como West Coast Jazz, o movimento musical encabeçado por Baker teve grande repercussão nos Estados Unidos. Mais tarde, entrou para a banda do perfeccionista e alucinado Gerry Mulligan, conseguindo popularidade com a primeira versão de My Funny Valentine.

Chet não lia partituras, tirava tudo de ouvido; entrou numa outra linha melódica e suave do jazz,criando um estilo próprio de sonoridade, viajando em tempos lentos, nuances musicais e acordes dissonantes, uma característica inconfundível, criando um som impar tão criativo como Miles Davis.

Nos anos 70, viajou para Europa onde encontrara terreno fértil para seu estilo musical. Nessa mesma época foi preso por porte de drogas, pois consumia excessivamente speedball (mistura de cocaína e heroína). Sumiu do cenário musical até que, em 1974, voltou aos palcos, desta vez, em Nova York. Não largou as drogas pesadas e já não expressava a imagem idílica de belo rapaz da época do My Funny Valentine. Mesmo sendo um junkie assumido, sempre foi respeitado por todos. Nos festivais de San Remo e em Paris, era figura presente com cadeira cativa - durante suas jam sessions destilava estilo sombrio e desleixado de tocar, ao aparentar não haver mais ninguém na plateia. Fixava o olhar em um horizonte que só ele enxergava, com o trompete em direção ao chão, despertando ainda mais a curiosidade dos fãs.

Vários foram os artistas influenciados por Chet Baker: desde o escritor Jack Kerouaka músicos das novas gerações do jazz, e até mesmo artistas brasileiros, como João Gilberto e Caetano Veloso, que muitos afirmam ter copiado o jeito Baker de cantar em falsete. Em 1986,apresentou-se pela primeira vez no Brasil pelo Free Jazz Festival no Rio e em São Paulo.

Muitas histórias em torno do personagem mito Chet Baker e o episódio de sua morte ainda geram muitas controvérsias de biógrafos e fãs no mundo do jazz. Foi em Amsterdam, em uma sexta-feira, 13 de maio de 1988, quando caiu da janela do terceiro andar do Hotel Prins Hendrik, no centrão da cidade, perto da Central Station - um hotel barato naqueles idos - que era frequentado por viciados e traficantes.

Dentre muitas versões de suicídio, Chet vivia dias difíceis e amargurados, envolvendo crime, dívidas com traficantes que o teriam arremessado janela abaixo, ou até mesmo a versão de que tinha escorregado e caído. Um detalhe curioso foi que dez dias depois de

seu falecimento, graças à ajuda de amigos e familiares, seu corpo foi levado para os EUA onde fora enterrado em Los Angeles, Califórnia.A placa de homenagem ao Chet, vista na foto acima, encontra-se na entrada do hoje confortável Prins Hendrik Hotel, em Amsterdam.


Confiram o vídeo:

De Rolê na Brick Lane


Considerado o paraíso da moda jovem cabeça-feita em Londres,esta famosa rua fica no bairro Tower Hamlets no Est End; é um local impregnado de histórias e lendas. A partir do ano de 1500, os indianos foram os primeiros imigrantes a chegarem nesta parte oeste da cidade, para depois abrigar pessoas de outras nacionalidades, como irlandeses,judeus, franceses, turcos, árabes, ou seja, uma verdadeira Torre de Babel com gente do mundo inteiro. Prédios históricos, como Igreja Batista de Cristo, compõem esse cenário peculiar. Outra história interessante que permeou entre gerações imaginação de escritores e cineasta foi a do Jack O Estripador, que também aprontou por essas bandas no século passado, mais precisamente na rua Withe Chapel, um beco apertado onde ocorriam crimes do sociopata mais conhecido da literatura policial.

Desde o final dos anos 1990, a Brick Lane tem sido o local dos melhores clubes noturnos da cidade, representando bem essa mistura de cheiros, sabores, idiomas e estilos, ao longo de ruas estreitas, com prédios de tijolos. O local abriga inúmeras lojas de roupas vintages e brechós em Londres. Nesse mercado de pulgas, podemos encontrar camisas, vestidos, óculos escuros, jaquetas, tênis, calças, peças de segunda mão: tudo com um preço bastante em conta para todos os desejos, se comparado às grifes de renome espalhadas pela capital inglesa.

No dia de domingo, a Brinck Lane se transforma em grande feira montada, em galpões, nas ruas ou nos becos, tendas foods e culinária de todas as partes do mundo: cozinha chinesa, comida indiana, jamaicana, italiana, espanhola, mexicana, turca, japonesa e até brasileira. Quem diria nosso velho açaí, direto do Amazonas, com granola, papaia e xarope de guaraná sendo vendido por lá também. Apesar de doce, esta típica especiaria brasileira tem o preço bastante salgado no verão da Est End.

O grafite de Brick Lane também é mundialmente famoso por artistas de rua como Banksy e Eine Bem, que adornam suas vielas com artes psicodélicas e desenhos surrealistas estampados nos muros. Em minhas andanças na Brink, conheci o angolano Paul, gente finíssima da

comunidade alternativa dos ocupas em London. Ocupas, para quem não sabe o significado, são prédios abandonados, que são ocupados por punks, jovens sem grana, entre outros. Paul me falou que já morou no Brasil, no Rio de Janeiro. Ele me apresentou diversas vias deste bairro que, sem sombra de dúvida, é um dos lugares mais irreverentes de lá. Paul trabalha o esquema de entrega à delivery. Foi engraçado como ele deduziu que sou brasileiro, "é porque tem muitos brasileiros por aqui",disse-me Paul.

Depois de uma volta no parque, bebemos um pouco de cerveja, sentados no chão mesmo, e conversamos sobre como tão quão corriqueiro é as pessoas sentarem aos batentes das ruas, seja pra comer, beber, fumar, escutar uma música, ou apenas conversar mesmo. Reparei ao nosso redor as diversas nacionalidades dentro daqueles metros quadrados. "Festa estranha com gente esquisita". Um punk com moicano tipo uma arara-azul conversando com um casal gay de italianos aos beijos. Negões do hip- hop com suas jaquetas espaciais, japonês em modelo retrô, junkies barra pesada do leste europeu, playboys com carros conversíveis, empresários muçulmanos engravatados, mas com um turbante na cabeça: tudo em perfeita harmonia nessa babel pós-moderna.

Enquanto uma banda tocava Pink Floyd na calçada da Bacon Street, uma balada de musica eletrônica em alto volume estava acontecendo dentro de um estacionamento. Pessoas dançando em transe conforme a marcação da bate-estaca da musica. Todos

embalados por uma soda de pêra alcoólica com gengibre e outras coisas que não ouso imaginar. Mesmo sendo de todas as tribos, essa região não poderia estar de fora do nosso roteiro, pelo simples fato da diversidade musical e cultural da Brick Lane. Alternativa pra quem vier para essas bandas são as afters partys, que acontecem no Shoredicht, uma região da Brick onde estão as melhores baladas de rock e de música eletrônica de Londres. Em breve, pontuarei aqui o que rola de bom nessa área.




Músicos de Rua

Busker - A vida dura do músico de rua

Músicos são respeitados pelo que tocam, e os que optam por se apresentarem nas ruas ou nas estações trem ou metrô,

tem que ser bons em pelo menos uma de quatro "Cs" fundamentais para ganharem um bom cachê e não passarem apuros;

bom conjunto, bom cantor, bom compositor, e bom cara de pau.  Me refiro ao cara de pau porquê mesmo

que não toque muito, tenha ao menos carisma de tocar a canção certa na hora certa.

Músicos de rua na Europa em geral são respeitados e remunerados pelos transeuntes que jogam moedas, batem palmas, enfim,

a arte de rua parece ser mais valorizada por lá.

Caso você seja um músico viajador e queira apresentar seu talento pelas ruas Camden Tow em Londres, Grafton Street em Dublin,

ou Mad Dog em Amsterdam ,deve apresentar algo que realmente valha a pena de ser pago. Para tocar ou trabalhar no metrô

de Londres ou em outras cidades, é preciso autorização da prefeitura de cada qual, não tendo residência fixa ou tempo pra isso,

a opção mais viável custo benefício será as calçadas da vida.

Procure um lugar que se sinta bem, ligue o botão da cara de pau e manda ver. Pegue seu amuleto, aqueça sua garganta e mostre

tudo que você sabe. Se não ficar rico ao menos vai sobrar uma grana para os cigarros ou uma cerveja. Tenho reparado ao longo

de caminhadas que muitos músicos itinerantes deixam uma pequena quantia de dinheiro no case, o estojo do instrumento serve

para que as pessoas depositem o dinheiro. Não sei se essa alegoria tem a intenção de mostrar que o sujeito não estar na pior, ou que

ele é bom e muitos valorizam sua arte. De qualquer modo não se atrevam a fazer isso, pessoas mau intencionadas podem te ludibriar

e até mesmo roubar suas economias. Já presenciei cena de viciados em heroína roubando um músico oriental em Dublin, o cara

meteu a mão e saiu correndo com um dia duro de trabalho de um músico sobrevivente.

De antemão é bom que pensem que você esteja à zero, acho que até os junkies irão te dá um apoio nessa situação.

Não tenha vergonha, a Europa é livre e a arte tem o poder de união das pessoas, a música em si por suas melodias é uma linguagem

que não tem fronteiras nem dialetos.

Sua tarefa é transformar rotina do individuo de um dia qualquer, em um momento lúdico e transportá-lo para outro nível consciente

com música, uma doce lembrança materna, um amor perdido, ou uma paixão renovada, as referencias sonoras tocam na

alma do mais insensível dos terráqueos, e essa é a função de um músico de rua, entretercom boa execução, belo canto, virtuosismo, alegria, sentimento, composição. Consiga tirar um sentimento, um sorriso ou lágrima do seu público alvo, que com certeza que

eles irão tirar do bolso uma boa Libra ou Euro azulado.

Abbey Road

Para muitos que viajam à Londres, um dos points de rock mais visitados por turistas do mundo inteiro - mesmo para aquele que não é um assíduo fã dos Beatles - é atravessar a faixa da Abbey Road.Esse programa agrada até aqueles que não são basicamente fãs de rock. Pode ser um tanto clichê, mas quem é  Beatlesmaníacos não deve perder essa oportunidade. Fãs ficam horas entre idas e vindas sobre à celebre faixa na tentativa de recriar a capa do álbum AbbeyRoad em suas fotos.  O problema é que a Abbey Road é muito movimentada, tornando uma tarefa difícil conseguir a foto desejada como na capa do LP. Tem que ser versátil para conseguir um bom ângulo antes que impeçam os automóveis de seguirem seu fluxo normalmente.

Os discos dos The Beatles eram os mais bem feitos em comparação aos das bandas da época, graças aos seus produtores, Brian Epstein e, mais tarde, PhillSpectro. Sua sonoridade era mais clean, delicada e sofisticada, e estava pronta para virar um produto de massa no começo do grupo. A produção musical incluía excelentes profissionais - a primeira banda de rock a tirar um excelente áudio em estúdio na história foram eles. A tecnologia foi se aprimorando e, cada vez mais, a estética musical do rock fora inovada, realmente um dos melhores discos da banda em pauta.

Outro detalhe curioso é que a imagem da capa foi capturada de cima, de uma escada com cerca de dez metros de altura, quando foi capturada numa manhã de oito de agosto de 69. Por isso, dificilmente você conseguirá focar o mesmo ângulo da capa. Quando John, Ringo, Paul e George posaram para essa sessão, contaram com uma ajuda de um guarda de trânsito que ajudou a produção para apenas seis cliques do fotógrafo escocês Iain Mcmillan. A quinta foto clicada foi a  escolhida para o álbum, devido à perfeita sincronia nos passos dos quatro garotos de Liverpool enfileirados sobre a faixa.

Na vida, nada é como imaginamos, e de modo algum você poderá sair de lá sem sua foto - inclusive tem pessoas que ganham uns trocados tirando fotos dos turistas alegres atravessando a avenida. Ao lado da faixa, situa-se o renomado Abbey Road Studio, que tem sido utilizado por grandes artistas, além dos Beatles, incluindo Pink Floyd, Nick Cave & TheBadSeeds e Elliott Smith. Da Oxford Street, passam alguns ônibus que te deixam na porta do estúdio. O endereço para quem quiser dar uma conferida é o:       Abbey Road 3, Wood St. John, Londres NW8 9AY.

Fotos de Nara Nogueira

A Capital Mundial do Rock

 

Londres é a capital do rock no mundo, e o rock está estritamente ligado à cultura da cidade, seja pela própria história social da cidade, berço de vários movimentos ao longo dos anos até os dias atuais, ou nos batidos sovines dos The Beatles e Sex Pistols, que são vendidos nos tradicionais pontos turísticos, por toda a região do Soho, no Picadilly Circus, ou na Oxford Street. Dificilmente você não irá se deparar com algum quadro dos Stones, ou camisetas do David Bowie ilustrando as vitrines desta área que é uma das mais conhecidas. Em toda a cidade você vai encontrar essa representação cultural do rock como referências. Ele pode estar escondido debaixo das folhas secas do Hyde Park, ou sentado nas confortáveis poltronas do Albert Hall, na parte nobre da citty. Talvez você se esbarre com o rock caminhando pela grande London, na linha do overground em Brixton, ou quem sabe encontre-o ali misturado com turma cool, nos becos da Brink Lane, em algum brechó, sebo ou vinil nas diversas lojas alternativas de lá. Talvez seja possível que você o identifique boiando pelos canais do Camden Tow, em algum frasco de tinta dos diversos estúdios de tatuagem na região. Em qualquer lugar onde pisar os pés em London Tow, vai deparar com essas referencias do rock. Se Londres é a capital do rock no mundo, a capital de Londres do rock é o Camden Tow. Se gostas deste universo e quiser começar sua jornada pelo Camden não irá querer se hospedar em outro bairro. E é justamente aqui que começamos nossa trip.


Camden Tow

O Camden Tow ou apenas Camden, com costumam chamar por lá, sem dúvida alguma é o bairro mais rocker de Londres, berço do punk rock nos 70, o local respira música por todos os pubs e nas ruas por onde passar. Se chegarem pela Camden Satation é possível sentir notas musicais exalando no ar. Na saída da estação de metrô sempre tem alguém tocando e injetando magia urbana rocker nas sua veias, de Zepplin a Pink Floyd. São inúmeros pubs frequentados por figuras exóticas desfilando moicanos coloridos e camisetas de bandas de rock. Não se empolgue ao encontrar alguma garota bêbada com minúsculas minissaias e meia calça preta por baixo, elas podem te beijar como uma louca e esquecer de você minutos depois. Têm coroas da velha guarda com cabeleiras grisalhas e camisa do Jetru Tull, e moderninhos coll com chapéu de padeiro francês. Mais adiante em outra esquina, coloridos com tênis da moda se embaralham com motoqueiros brigadores de bar. Mais dois quarteirões adiante, jamaicanos com enormes dread loocks, batem ponto na saída da esquina a lhe fintar com olhar acolhedor pronto a te oferecer alguma substancia relaxante. Toda essa atmosfera do Camden é particularmente incrível, por isso eu destaco este local como a nossa primeira parada em Londres. Qualquer pessoa que gosta do estilo, e tiver oportunidade de passar por lá deve conhecer este lugar louco e delicioso.

No Camden durante o dia você pode aproveitar um ótimo passeio de barco pelos seus canais fluviais e conhecer o bairro sob uma óptica diferente. Na volta do passeio vale conferir o tradicional mercado que fica bem próximo à saída do metrô, onde possível garimpar muitos discos raros em lojas de música ou nas tendas ao ar livre. A capa do álbum do The Clash com título homônimo foi tirada no Camden Market. Neste mercado é possível encontrar uma gama de produtos alternativos que você só topará por lá, como camisas estilizadas, psico, gótico, punk, rockabillie, colares hippie, moda eletro, punk-rock-mod, CDs raros,vinis, DVDs, estúdios de tatuagem, uma real Disneyworld do rock.

Experimente comer um falafel das diversas kebaberias da região antes de cair a noite, afinal no Camden tudo acontece mesmo é na nigth. São muitos os lugares com música ao vivo além do rock, passando por lá você pode escutar, reggae, eletro, blues, hip-hop e até mpb. Imagine tudo isso acontecendo ao mesmo tempo em pubs diferente com entrada gratuita na maioria deles. Os melhores dias de semana para balada são de quinta a domingo, como em qualquer lugar do mundo são as noites mais agitadas.

Escolha um pub que tem a sua cara, entre e peça uma cerveja Red Ale. Típica cerveja inglesa de coloração vermelha, amarga e com forte teor alcoólico, bebida geralmente servida fresca, fria a poucos graus abaixo da temperatura ambiente interno do pub. O preço da cerveja varia para cada estabelecimento, mas em geral entre quatro a seis Pounds uma caneca de 500 ml, ou pint, como costumam chamar. Outro drink clássico tradicional inglês é o Snake Bite, o drink é combinado por cerveja, cidra e uma pitada de xarope groselha. Bebida típica de um cockney - termo designado pra quem morava no Est Wend de Londres, antes formada por trabalhadores e operários que têm sotaque mais duro e cacofônico dos londrinos. Se não quiseres passar por um turista de primeira viagem, peça ao cara detrás do balcão um snake bite, porém, não gostam de servir este drink dos infernos a qualquer um. Porquê o Snake Bite dá bebedeira pesada e quem não sabe segurá-la muitas vezes acaba pagando mico e fazendo besteira no pub. Se quer algo mais forte ainda pode pegar um shot de gym. Se não és de bebida, melhor optar pela tradicional cerveja red ale.

Se não tenha grana pra beber em um bar não fique triste, vai no super mercado e compra um pack que é bem mais barato. Dê uma caminhada pela Camden Road, e tenha cuidado ao beber na rua, o que é ilegal e pode te gerar uma multa de 50 Libras. Nesse caso é sempre bom esconder sua bebida em um saco plástico para não chamar a atenção dos guardinhas. A lei em Londres funciona para todos e a fiscalização em cumprimento dela é paulatina, já presenciei turistas sendo presos por que não tinham grana para pagar a multa no ato do flagrante delito.

Snake Bite

Para fazer este típico drink inglês, o Snake Bite, são necessários apenas três ingredientes, cidra, cerveja larger ou stout, e xarope de groselha. Esse mistura que leva o sutil nome de mordida de cobra, ficou muito popular nos anos 80 em Londres. Embora seja uma bebida sem muito mistério e aparentemente legal na Inglaterra, muitos pubs se recusam a vende-la. Uma história curiosa sobre este fato, foi quando o presidente dos EUA Bill Clinton, pediu a mordida de cobra quando esteve em Londres, o que lhe foi negado com o argumento de que era uma bebida proibida por lei, o que de fato não é. Drink predileto do eterno guitarrista do Camisa de Venus, Karl Franz Hummel, essa mistura de cereal, frutas e álcool, pode te deixar louco em poucos minutos. Nesse caso meu amigo, toma um engove antes e outro depois. Certa feita bebi três Snake Bites e passei mau, tive que ir pra fora do bar respirar o ar gelado da noite no inverno, porquê já tava ameaçando um teto preto, Por essa e por outras sejam comedidos e não pagarão mico.

Ouça :

 

Casa da Amy Winehouse

 

Casa da Amy Winehouse


Poucos dias antes de eu ir passar uma temporada no Camden Tow em agosto de
2011, acompanhei nos noticiários a morte prematura da cantora mais badalada à época,
Amy Winehouse. Já tinha escutado falar muito deste bairro da zona norte de Londres,
dos jovens descolados de cabelos coloridos e roupa qualquer nota pelas ruas, uso o
termo qualquer nota, porque ali as pessoas fazem sua moda por mais que tenha um
estilo predominante, meias pretas por baixo da minissaia. O qualquer nota ao qual me
refiro cai muito bem nas meninas, bem diferente da moda do Brasil quando todas as
pessoas querem ser iguais no modo de se vestir e muitas vezes de pensar também. Os
segredos da estética cool e sutil do europeu estão na liberdade de cada qual criar seu
próprio estilo, sem paradigma ou conceitos do que seja essa tal de tendência do
momento.

No Camden é assim, patricinha radical e colorido moderninho bebem no mesmo
pub. As garotas enchem a cara de verdade bebem pra fazer besteira, enfiar o pé na jaca
quebrando garrafas e caindo no chão pagando calcinha, bem ao estilo Amy mesmo. Eu
até que gostava de algumas músicas da Winehouse, mas confesso que pelo fato dos
holofotes apontarem demasiadamente para a nova pop star do momento, me afastou
qualquer possibilidade de maior aproximação com seu trabalho.

Eu estava recém chegado no bairro que Amy praticamente nasceu e passou a boa
parte da adolescência, já como cantora consagrada ela permaneceu morando no bairro.
Estava hospedado a somente a três quarteirões da casa onde ela tinha morado nos
últimos anos, o mesmo local onde morrera. Mesmo não sendo minha cantora predileta
não poderia deixar de conhecer a charmosa e tranquila casa com um belo parque em
frente. Depois de uma partida prematura aos vinte e sete anos, por motivos não muito
bem esclarecidos, todo o mistério em torno do acontecido, e a espera do laudo para
esclarecer a causa mortes aumentavam o número de curiosos e fãs que caminhavam
como numa procissão até Amy’s House . Sua casa era discreta de dois andares, como na
maioria das casas vizinhas, não se parece com uma casa de uma cantora famosa e com
tanta grana. Discrição é o jeito britânico assisado de ser, todavia imagino que a Amy não
fosse uma pessoa soberba.

O caminho mais fácil para a casa da Amy é pela Camden Road, uma transversal
desta avenida chega até a casa jazz girl. A dica é saindo da Camdem Station, sentido ao
estádio do Arsenal opta-se pelo bus de número 19, ou pode ir andando tranquilamente
cerca de 20 minutos. Ao avistar umas quadras de esporte na Camend Road, entra na
direita inicial da direção citada. Como eu não dispunha de um aparelho celular com
GPS, tive que perguntar para os comerciantes que me indicaram o caminho sem
nenhum problema, de qualquer modo deixo o endereço aqui pra vocês.

No caminho da Amy’s House, parei em uma loja de conveniência para comprar
uma cerveja e cigarros para deixar para ela. Mesmo contrariando orientações religiosas
sobre espíritos obsessores resolvi compartilhar um gole de bebida antes de depositá-la
junta a outras dezenas de garrafas que jaziam em frente a sua casa. No portão,
seguranças vigiavam a entrada para prevenir qualquer saque ou arrombamento de
fanáticos mais exaltados. Cartões com dedicatórias de o amor, cigarros, flores, e outras
eram depositadas pelos fãs no jardim à frente da casa da Ammy. Li nos tablóides que ela
desde criança sempre viveu em Camden Tow, onde fora descoberta também. Sua casa
era muito próxima da Estação Camden, que fica no coração do bairro onde a noites
acontecem shows com bandas de rock e outros estilos. A própria Winehouse começou
sua carreira se apresentando neste circuito de Londres. O bacana deste bairro é que a
maioria dos pubs têm rock ao vivo por um preço bacana, quando a entrada não é livre
está sujeito ao valor do dia. Em 2012 a casa foi a leilão e seu valor de venda chegou a
quase, Dois Milhões de Libras. A casa fica na, 30 Camden Square, Camden Town, London,NW1.

40 anos sem o Rei Lagarto


James Douglas Morrison, Rei Lagarto ou simplesmente Jim Morrison, foi um poeta e cantor americano da banda The Doors, que saiu dos clubes esfumaçados de Los Angeles para se tornar um mito do rock’n roll. Messiânico, carismático, rebelde, beatnik, ícone autodestrutivo, Jim era uma pessoa que apesar de ser símbolo sexual não curtia muito pousar de galã. Lembro de uma passagem do livro “Verdades Tropicais” de Caetano Veloso que ele narra sua estadia na Inglaterra na Ilha de Write, para assistir a um show do Doors e quando Morrison chegou não acreditou no que se viu; Um cara gordo barbudo de cabelos desgrenhados.

Na época que Morrison cursava cinema na, UCLA, gostava de mexer com as palavras e criar poemas. Willian Blake, Rimbaud e Aldous Huxley eram um dos seus autores prediletos. Viu na música uma oportunidade de ampliar o campo de ação. Bluseiro nato conseguiu misturar batidas dos índios americanos com blues rasgados de temas obscuros e psicodélicos, como nas músicas Wild Chid, Maggie Maggie M’Gill. Com a The Doors imprimiu estilo único ao rock, com sua voz grave, misturado a guitarra flamenca de Robby Krieger, os teclados viajantes de Ray Manzarek e a bateria jazzística de John Densmore, o som do The Doors é original e inconfundível.

Morreu tragicamente por over dose de heroína na banheira do seu apartamento no dia três de Julho de 1972 em Paris, onde está enterrado no cemitério Pere'La Chaise, local que se tornou ponto de peregrinação de fãs de todas as partes do mundo que vão visitá-lo, beber, fazer sexo em cima do seu túmulo dentre outras coisas.

Muitas são as lendas que giram em torno do personagem Morrison e que foram bem retratadas no filme homônimo do Oliver Stone, de 1991: toxicodependência de LSD, sua morte de forma misteriosa, o casamento com ritual de sangue com Patrícia Kennealy, uma jornalista de rock envolvida com bruxaria, o acidente que presenciou bem garoto quando um caminhão cheio de índios teria tombado no deserto. Segundo o próprio Morrison seu corpo tinha recebido a alma de um xamã. Mas de todas à que mais desperta minha curiosidade mesmo era sobre a sua companheira a Pamela Couson.

Julgada por muitos como uma simples groupie o fato é que Jim a adorava e escreveu vários poemas que foram musicados pela banda como "She lives on Love Street". Pam e Jim providenciaram inúmeras vezes uma licença para se casarem mas isso nunca aconteceu. Tinham um relacionamento conflituoso cheio de altos e baixos. Pamela era uma bela garota ruiva com sardas nas mão, curtia moda e desenhava o figurino do Rei Lagarto. Apesar de Jim de ser mulherengo nunca a deixou. Se mudaram para Paris moraram por seis meses até que no fatídico dia 3 de julho de 1971,Jim veio a falecer. Nenhuma autópsia foi feita e a causa oficial da morte de Morrison foi ataque do coração. Apenas cinco pessoas assistiram ao seu funeral, que foi realizado rápido e de forma secreta.

Pammela teve um fim trágico também, sua morte foi misteriosa, ninguém sabe o que realmente aconteceu. Algumas pessoas cogitam suicídio (na véspera de sua morte, Pam comentou com uma amiga que já era tempo dela se juntar a Jim), ou overdose de heroína. Pamela morreu com a mesma idade que Jim morreu: 27 anos. Tentei buscar no you tube alguma imagem dela, contudo só existe um único registro de vídeo que foi aproveitado em diversas homenagens.